História

   O Governo Imperial de Dom Pedro II D’Alcântara, no ano de 1876, abria uma imigração gratuita pelas quase 22 províncias formadas no império do Brasil. Foi quando na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul desenvolveu-se também a imigração em massa com a vinda de grande número de imigrantes para a região, atraídos pelo clima e fertilidade do solo. Para que isso acontecesse o Governo Imperial preparou quatro colônias, sendo elas: Conde D’Eu hoje Garibaldi, Dona Isabel hoje Bento Gonçalves, Fundos de Nova Palmira hoje Caxias do Sul e mais tarde Silveira Martins.

   Então, do Norte da Itália, região do Vêneto, saíram os imigrantes que aqui chegaram e povoaram essa região. Os imigrantes partiram do Porto de Gênova, Itália, no dia 19 de março e chegaram ao Rio de Janeiro em 20 de abril de 1878. Do Rio de Janeiro seguiram viajem até Porto Alegre, onde eram acomodados em galpões cobertos de zinco, na Praça da Harmonia. Daí saíram em pequenas embarcações subindo o Rio Jacuí aportando em Rio Pardo.

   De Rio Pardo, os imigrantes prosseguiram viagem em carretas de bois até o Barracão de Val de Buia, em Silveira Martins. As mulheres, idosos e crianças juntamente com alguns pertences eram colocados nas carretas com coberturas de duas águas, feitas de macegas e ervas secas, couro de boi e zinco, os homens e jovens iam a pé. Passados quinze dias chegavam ao barracão.

   As famílias que aqui se estabeleceram passaram por grandes dificuldades, para chegar até a sede, Barracão. De acordo com Sponchiado (1996), “pensar que a chegada na colônia representava o fim do sofrimento e peripécias é puro engano”. Os imigrantes tinham que explorar os montes, a cordilheira de São Martinho, em piquetes, pés descalços, pois não havia estradas.

   Enquanto aguardavam a distribuição das terras, uma peste (epidemia), dizimou cerca de 400 pessoas. Segundo Sponchiado (1996) “com este fato o governo Imperial acelerou o processo das demarcações de terras devolutas”.

   Transcorridos dias de permanência no barracão, partia-se para o Lote escolhido. “No Lote abria-se clareira o mais rápido possível e construía-se uma cabana de pau-a-pique, coberta com ramos de árvores. Era o primeiro abrigo da família e onde ia noite, ardia sempre o fogo para afugentar os animais ferozes e, no inverno, para aquecer os corpos.”(Lorenzatto, 1999, p.129)

   O contínuo movimento de imigrantes fez com que a Quarta Colônia de Imigração Italiana, Silveira Martins, se expandisse pelos contra fortes da serra de São Martinho.

   Foi então, que em 20 de maio de 1878, chegavam os primeiros imigrantes na Localidade que então era conhecida como "Buraco" por sua localização no vale. Eram onze famílias no total. No mesmo ano, chegavam no vale mais famílias lideradas por Paulo Bortoluzzi. Por ser uma família numerosa o nome do local passa-se a chamar Vale dos Boroluzzi. O grupo dos Bortoluzzi, tinham uma situação financeira privilegiada perante os demais imigrantes que os acompanhavam e, por isso, puderam construira um moinho e uma bodega. Por exercer liderança na localidade, Paulo Bortoluzzi é considerado o fundador de Vale Vêneto.

   Com a chegada de novos imigrantes a comunidade sentiu necessidade da troca do nome, nesse sentido Barrinuevo (sld):

   "Após muitas brigas, o então Padre sório que veio da Itália, a pedido das famílias para exercer no local as funções clericais, fez uma reunião com os imigrantes afim de mudar o nome. No dia 8 de dezembro de 1881, foi proposto o nome de “Val Vêneta”, argumentando que todos estariam vivendo num bonito vale, com clima mais ou menos parecido com o da região de origem dos imigrantes, ficaria então Val Vêneta."

   Entretanto, por ocasião da visita do Bispo de Porto Alegre no ano de 1909, foi sugerido que o nome fosse passado para o português, portanto, Vale Vêneto. Concordaram todos e, assim chama-se esta localidade atualmente.

   A grande religiosidade dos imigrantes contribuiu para que fosse fundada a Décima Casa Palotina do mundo, o Seminário Rainha dos Apóstolos, que foi o marco da história palotina no Brasil e América.

   Fazem parte da história de Vale Vêneto a Igreja de Corpus Christi, construída no início do século passado, o Ginásio Nossa Senhora de Lourdes, pertencente as irmãs do Imaculado Coração de Maria que funcionava como internato. Hoje, o colégio aluga algumas dependências para a Secretaria de Educação do Estado, onde funciona o Ensino Fundamental. Merece destaque o Calvário que foi criado em 1913 com as 14 estações, que contam o Martírio de Jesus Cristo e a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que nasceu de uma promessa feita pelo Padre Pedro Bottari, em 1941, em virtude das fortes chuvas que provocaram o desmoronamento de terras e rochas.

   Também há o museu Histórico de Vale Vêneto que é considerado o maior acervo histórico e cultural Italiano do Rio Grande do Sul. Recebeu o nome do Padre João Iop e foi fundado em 1975, por Eduardo Marcuzzo, por ocasião do Centenário de Colonização Italiana no Estado. Guarda um acervo de mais de três mil peças, mostrando objetos de Lavoura, móveis da época, roupas e outros. Esse material foi doado e é mantido pela Associação Cultural do Imigrante.

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