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04
Jun 2014

Lançamento do Festival de Inverno faz crescer expectativa dos músicos e do público

“O vale é muito bonito, e com música fica mais bonito ainda.” O vale ao qual se refere a professora Vera Vianna, do curso de Música da UFSM, é Vale Vêneto, distrito do município de São João do Polêsine. E a música, como tradicionalmente acontece desde 1986, é aquela com a qual toda a região é brindada durante o Festival Internacional de Inverno. As belezas arquitetônicas e naturais do local, aliadas às aulas e concertos de música erudita que o festival proporciona, foram aludidas pela sua coordenadora na noite de terça-feira (3), durante o lançamento da 29ª edição do evento.

Saudado pelo reitor Paulo Burmann como um dos maiores eventos culturais do Rio Grande do Sul, o festival neste ano vai ocorrer de 27 de julho a 3 de agosto, paralelamente à 29ª Semana Cultural Italiana de Vale Vêneto. O público presente no lançamento, realizado no campus de Santa Maria (no Salão Imembuí), assistiu a uma apresentação da Orquestra de Cordas dos Cursos de Música da UFSM, formada por alunos e professores. Na ocasião, a orquestra tocou a Sinfonietta de Janós Decsényi e a suíte Israel, de Benny Wolkoff.

A possibilidade de aprender a tocar melhor seu instrumento é o que traz a Vale Vêneto alunos de música de todo o Brasil e de países vizinhos, bem como instrumentistas e professores de música de várias nacionalidades. Neste ano, o Festival de Inverno terá oficinas ministradas por professores dos EUA, Inglaterra, Itália, Argentina, Costa Rica, Alemanha, Áustria e Suíça, além de professores de diferentes regiões brasileiras. Entre os músicos estrangeiros, uma das presenças assíduas é a do uruguaio Milton Masciadri, responsável pela oficina de contrabaixo e também colaborador na organização do evento. Ele leciona nos EUA, na Universidade da Georgia, instituição parceira da UFSM na realização do festival.

Primeira a manifestar-se durante o lançamento do Festival de Inverno, a professora Vera Vianna mostrou entusiasmo com a quantidade de inscritos que o evento vem recebendo deste a última segunda-feira (2), quando foram abertas as inscrições para as cerca de 20 oficinas oferecidas. Um exemplo citado neste sentido são os 10 inscritos para a oficina de violão, considerando-se que nela estão abertas apenas 12 vagas. A professora também ressaltou a colaboração da comunidade na cedência de espaços – como escola, igreja, seminário e até mesmo residências – para a realização de oficinas e apresentações.

“O que me assusta em termos de número de inscritos é que, se seguirmos nesse ritmo, em 10 dias nós vamos ter preenchido todas as vagas”, informa a professora.

Se o festival traz músicos de todo o Brasil e do exterior, não é apenas a música o que atrai a Vale Vêneto os habitantes da região central gaúcha. As tradições cultivadas por descendentes de imigrantes e, principalmente, a comida típica são atrativos à parte, proporcionados pela Semana Cultural Italiana. Estas atrações fazem os santa-marienses percorrer os aproximadamente 40 km que os distanciam do vale, juntamente com o público de outros municípios da Quarta Colônia. Na programação, destacam-se também um desfile típico e um encontro de corais que cantam em italiano e no dialeto vêneto.

O coordenador da Semana Cultural, Luiz José Pivetta, saudou o crescimento contínuo do público e, ao mesmo tempo, lamentou duas ausências: do idealizador do festival, padre Clementino Marcuzzo, falecido em 2009, e do radialista Pedrinho Sartori, divulgador da cultura italiana na região da Quarta Colônia, o qual morreu no ano passado.

“A cada ano, os espaços estão ficando menores: limitados, disputados e concorridos. Vemos que a Semana Cultural Italiana está limitando os ingressos. E, no festival, as vagas são preenchidas rapidamente e são sempre insuficientes”, destaca Pivetta.

Embora o número de visitantes cresça a cada ano, o desenvolvimento turístico de Vale Vêneto tem sido obstruído praticamente por um único obstáculo: a falta de um acesso asfaltado. A prefeita de São João do Polêsine, Valserina Gassen, salientou em sua manifestação esta luta da comunidade local, que vem se arrastando há anos. Também destacou o festival em seu aspecto educacional, referindo-se principalmente às oficinas de musicalização para crianças e ao curso de formação continuada em música para professores da educação infantil.

“Para nós, esta parceria, que perdura por 29 anos, é uma ação sólida que estamos realizando. Nesses últimos anos, mais organizados e qualificados, estamos conseguindo oferecer mais segurança e conforto aos professores, alunos e visitantes”, afirma a prefeita.

Ao encerrar a solenidade, o reitor Paulo Burmann falou sobre a superação de obstáculos na organização do festival, principalmente quanto à disponibilidade de recursos. Em referência ao discurso anterior ao seu, informou ter encaminhado ao governador Tarso Genro a demanda de asfaltamento da estrada de acesso a Vale Vêneto.

“O festival é um evento que supera diferenças, supera competências e que efetivamente está enraizado na comunidade regional, se constituindo em um dos principais eventos culturais do Rio Grande do Sul – com a característica regional, sim, mas com uma forte característica internacional, o que é típico de todas as ações que desenvolve o Centro de Artes e Letras”, avalia o reitor.

Durante o festival, o público terá a oportunidade de assistir gratuitamente, todos os dias, a recitais solo, de música de câmara, orquestra sinfônica ou orquestra de sopros. Também estão previstas apresentações em Silveira Martins, Cachoeira do Sul e Santa Maria. Para os músicos interessados em participar das oficinas, as inscrições podem ser realizadas até 30 de junho. A programação completa e outras informações constam na página www.ufsm.br/festivaldeinverno.

Data: 04/06/2014

Fonte: Lucas Casali (UFSM)

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