| Comunidade de Vale Vêneto assiste a uma prévia do que será o 25° Festival de Inverno |
| Quando o público chegou ao Salão Paroquial de Vale Vêneto, na noite da última sexta-feira (11/06), para o lançamento do 25° Festival de Inverno e da Semana Cultural Italiana, encontrou no centro do salão dois panelões virados para baixo, apoiados sobre cadeiras. A princípio não se prestou muita atenção neles, pois ninguém sabia o que aquilo podia significar.
Somente um pouco antes do final da cerimônia de lançamento é que o significado daquele enigmático arranjo foi revelado. Os panelões – um símbolo da culinária local, geralmente usados para fazer risoto, capeleti, espaguete, agnolini, ou algum outro prato típico italiano – serviram como instrumentos musicais para cinco crianças do projeto Tambores do Vale, grupo de percussão formado por 23 crianças e adolescentes de 5 a 18 anos que estudam em escolas da Quarta Colônia.
A habilidade das crianças nas baquetas – também foram usadas como instrumentos musicais as cadeiras de madeira sobre as quais se apoiavam as panelas – recebeu o aplauso entusiasmado da plateia. A cena contém símbolos de tudo o que representam os dois eventos: a culinária típica (associada aos panelões), a cultura, a educação e a difusão da música de qualidade.
Neste ano, Vale Vêneto (distrito do município de São João do Polêsine) recebe o festival e a semana cultural no período de 25 de julho a 1° de agosto. Uma das principais novidades desta edição é que mais uma cidade da Quarta Colônia poderá assistir de perto às apresentações musicais que o festival proporciona. Haverá um concerto em Silveira Martins. Mas ainda não há definição dos músicos que participarão dele, nem das obras que serão tocadas.
A novidade foi anunciada pelo reitor da UFSM, Felipe Martins Müller, em seu discurso na noite do lançamento. Na ocasião, ele destacou a importância da universidade para o desenvolvimento da região.
“A UFSM sempre esteve presente em todos os municípios da região com diversos projetos de extensão e pesquisa. E, desde 2009, ela se consolida com a sua presença física aqui na Quarta Colônia, com a abertura da Unidade Descentralizada de Educação Superior de Silveira Martins. Isso demonstra o interesse da instituição em estar aqui presente e a vontade que nós temos de que esse local se desenvolva”, afirma o reitor.
Assim como todas as autoridades presentes, a professora Alzira Severo lembrou em sua fala a morte de um de seus companheiros na idealização do festival, o padre Clementino Marcuzzo, cujo falecimento completará um ano nesta terça-feira (15/06). “Junto conosco, Marcuzzo fez este vale virar música”, disse a professora.
O coordenador da Semana Cultural Italiana, Luiz Pivetta, considera o Festival de Inverno um marco no desenvolvimento da Quarta Colônia. “Quem conheceu Vale Vêneto antes e depois do festival viu um povoado pacato e desconhecido se transformar aos poucos em referência na região. A Quarta Colônia toda despertou para o seu potencial turístico”, relembra Pivetta.
Depois dos discursos das autoridades, o público foi brindado com uma degustação musical daquilo que o festival tem para oferecer no final de julho. Na noite de sexta-feira, apresentaram-se um quarteto de trompetes liderado pelo professor Enio Guerra (maestro da Orquestra Sinfônica de Santa Maria) e o já referido grupo de percussão Tambores do Vale. Antes disso, o reitor da UFSM e a prefeita de São João do Polêsine descerraram o cartaz oficial do 25° Festival de Inverno.
Além do maestro Enio Guerra, o grupo de trompetistas era composto por três alunos de Música da UFSM: Tássio Furtado, Edinaldo Souza e Eduardo Farias. Eles brindaram a plateia interpretando quatro composições – “Evasion”, de Andre Telman, “Nobody Knows The Trouble I’ve Seen” (de autoria desconhecida), “There Lived a King”, de Arthur Sullivan, e “Playful Prelude”, de Jay Arnold.
A gurizada do Tambores do Vale começou o seu show tocando instrumentos de percussão tradicionais, como tambores, pandeiros, bateria e triângulos. As 21 crianças e adolescentes que se apresentaram no salão paroquial eram regidas por seu professor, o percussionista formado pela UFSM Márcio Tolio. São dele todas as composições que o grupo tocou na noite.
Tolio também é o coordenador do projeto de educação musical Atoque, que é integrado por seis grupos. Um deles é o Tambores do Vale, que se caracteriza por inserir a percussão em ritmos e temas italianos. O grupo demonstrou isso com o uso inovador em sua música dos panelões da culinária italiana.
Porém, logo depois, tanto os músicos como a plateia renderam-se novamente à tradição, ao se deliciarem com as obras-primas da culinária que os artistas da cozinha executam nestes velhos panelões, velhas receitas delle nostre nonne.
Realizado anualmente desde 1986, o Festival de Inverno é promovido pelo Departamento de Música da UFSM, com o apoio da Prefeitura de São João do Polêsine, da comunidade de Vale Vêneto e da University of Georgia (EUA). Para este ano, estão programadas 16 oficinas, que serão ministradas por professores de seis países diferentes. Para conferir a programação e saber como participar, acesse o site do 25° Festival de Inverno – www.ufsm.br/festivaldeinverno ou www.valeveneto.net/festival. |
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social - UFSM |
| Postado: 14/06/2010 às 08h36 (lida: 308 vezes) |
